sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ela

Amarga, dura e friamente dócil.

Ingrata. Religiosa. Bucólica. Ainda assim merecedora de todo meu amor.


Sorriso raro. Por vezes pouco sincero, mas capaz de me acalentar o peito. E como dele sinto falta.

Torradinhas, chás, esporros, intrigas, carência e ausência de saber amar.
Demorei, mas um dia entendi.
Não se aprende a dar amor sem antes aprender a receber.
Não culpei. Apesar da diferença de idade, tentei ensinar. Aceitei a falta de mudança.
Optei por te ajudar a ser feliz e ainda que por uns minutinhos, sei que consegui!


Mas de todos seus defeitos, o não querer viver é o único que não sei aceitar.

Não quero nem mesmo aprender com ele. Egoistamente afirmo que contra isso não tenho forças, nem peito, nem raça, nem vontade de lutar.


Constato: nesse caso, mais que nunca, a impotência é diretamente proporcional à distância.

Desejo que a culpa dê lugar à lembraça, que a saudade seja expressa pelo choro intenso e curto e que pelo menos mais uma vez meu amor chegue até você e te faça sorrir denovo.
Desejo que Ele tenha misericórdia de nós e que caso o fracasso seja inevitável, que ele não doa pra sempre aqui no peito.

Sem opção de escolha, desejo que seu coração mude, entrego meu sincero amor e que pelo menos desta vez você seja capaz de recebê-lo. Ainda que por alguns instantes antes de partir.

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