domingo, 6 de junho de 2010

Do outro lado do oceano

Ainda não tive coragem.
Não sei nem mesmo por onde começar.

Arranco olhos pra não ver palavras;
ouvidos pra não esperar promessas;
língua pra não falar o que não convém.
Não me convém.

Amarro mãos;
prendo pensamentos;
ocupo o tempo.
Nada disponível pra sonhar.

Arranco o coração. Deixo sangrar.
Alma dolorida. Não me permito viver em paz.
Desejo a apatia.
Sede de não pensar.

Entorpeço, enlouqueço, almejo O desejo.
Anseio, receio, aguardo meu fardo.
Espero o que quero, descubro e constato: não há constelação que seja capaz de te arrancar daqui.

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